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domingo, 11 de novembro de 2012

Abertas Inscrições Para o Fórum Social Mundial Palestina Livre


Estão abertas as inscrições individuais para o Fórum Social Mundial Palestina Livre, que será realizado de 28 de novembro a 1º de dezembro, em Porto Alegre. Segundo o Comitê Organizador do FSMPL, elas se destinam a pessoas que queiram acompanhar as atividades do evento e que ainda não estão inscritas como representantes de organizações. Já há mais de 100 organizações inscritas e quase o mesmo número de atividades pré-inscritas, de mais de 20 países. O prazo para a inscrição de organizações e atividades termina no dia 22 de outubro e ela deve ser feita na página especial criada para este fim (http://www.inscricoesfsmpl.rs.gov.br). As atividades do Fórum estarão centralizadas na Usina do Gasômetroe adjacências.

As organizações inscritas podem propor atividade dentro de um dos eixos indicados na programação. Essa programação é integrada por cinco grandes conferências, além de oficinas, seminários e outros eventos autogestionados realizados pelas organizações participantes, em torno de cinco eixos temáticos: Autodeterminação e direito de retorno; Direitos humanos, direito internacional e julgamento de criminosos de guerra; Estratégias de luta e solidariedade – boicote, desinvestimento e sanções (BDS) contra Israel como um exemplo; Por um mundo sem muros, bloqueios, discriminação racista e patriarcado; e Resistência popular palestina e o apoio dos movimentos sociais.

A realização das atividades inscritas é auto-gestionada. O Fórum oferece o local e inclui a atividade no programa. Mas a entidade proponente é responsável pela sua realização, viagem e presença de palestrantes. Cada organização inscrita deve inscrever também os/as seus participantes. As inscrições individuais dão direito a participar de toda a programação do FSM PL, assistir às conferências, oficinas e atividades culturais. Para isto, basta entrar no mesmo link http://www.inscricoesfsmpl.rs.gov.br e escolher o formulário “Participantes individuais”.

Os profissionais de comunicação que farão a cobertura do evento também já podem se inscrever diretamente no site, informando também dados da mídia pela qual farão a cobertura. Interessados/as poderão participar de coberturas compartilhadas, desde que autorizada a livre reprodução de conteúdos ou mediante licenças copyleft e creative commons.

O pagamento de inscrições, segundo o comitê organizador, é um chamado político à auto-sustentabilidade do Fórum Social Mundial Palestina Livre, e é uma contrapartida do conjunto das organizações e indivíduos participantes na sua construção. Consciente das diferentes condições de pagamento de seus participantes em um cenário de crise e de diminuição de recursos internacionalmente, o Comitê Organizador do FSMPLestipulou preços diferenciados de inscrição que ficaram assim definidos:

- Organizações (com direito a até 5 delegados/as): R$ 200. Caso sua organização pretenda enviar mais que cinco participantes, deverá adicionar ao valor da organização a quantia de R$ 20 (ou US$ 10) para cada delegado/a extra.

- Indivíduos e delegados/as adicionais: R$ 20

- Refugiados palestinos: isentos

- Centrais sindicais*: de 2.000 a 5.000 reais, segundo a capacidade de cada entidade


Palestina e Israel: Caminhos Para Uma Paz Justa

É importante deslocar criticamente o olhar para fora do tema religioso do conflito entre judeus e palestinos, defende Nancy Cardoso Pereira

Por: Graziela Wolfart

Para o povo do Ocidente muitas vezes é um desafio compreender todos os meandros envolvidos no conflito entre Palestina e Israel. Em função disso, a professora Nancy Cardoso Pereira nos ajuda nessa missão, pois “superar o senso-comum e a desinformação é vital para um entendimento abrangente do quadro de conflito Israel-Palestina”. Segundo ela, trata-se de um conflito por território. “Os desacertos dessa região combinam elementos do imperialismo europeu do século XIX com os desastres do conflito e da resolução dos conflitos da segunda guerra mundial”. Na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line ela explica que “a ocupação ilegal da Palestina pelo Estado de Israel revela a cara mais explícita do antigo colonialismo e combina novas formas de neocolonialismo. Interesses externos mobilizam a política interna no que pode ser considerado, também, um ponto avançado de controle do ocidente sobre o oriente”. E continua: “este caráter persistente do colonialismo europeu do século passado, articulado com as tecnologias de controle de território modernizadas do ocidente sobre o oriente, faz da Palestina um ponto de inflexão geopolítico delicado e explosivo”.

Palestina e Israel: caminhos para uma paz justa é o tema do evento IHU ideias do dia 30 de agosto, com a professora Dra. Nancy Cardoso Pereira, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – Cebi; Eduardo Minossi de Oliveira, graduado em Geografia pela UFRGS e Érico Teixeira de Loyola, graduado em Direito pela UFRGS. O evento será realizado na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU, das 17h30 às 19h. Maiores informações podem ser obtidas em http://zip.net/bfhpzz.

Teóloga e filósofa, Nancy Cardoso Pereira é mestre e doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo – Umesp, e pós-doutora em História Antiga pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Ela é pastora da Igreja Metodista. É membro do Palestine Israel Ecumenical Forum (PIEF)/World Council of Churches (WCC) e secretária de Publicações do Centro de Estudos Bíblicos – Cebi, além de assessora de Formação da Comissão Pastoral da Terra – CPT. Nancy Cardoso Pereira foi escolhida em agosto como reitora da Universidade Bíblica Latino-Americana (UBL). A sua gestão vai de 2013 a 2017.

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Do ponto de vista didático, o que é fundamental para o povo do Ocidente entender o conflito entre Israel e Palestina?

Nancy Cardoso Pereira –
É importante deslocar criticamente o olhar para fora do tema religioso do conflito entre judeus e palestinos. O conflito religioso está emaranhado nos conflitos entre cristãos europeus e comunidades judaicas na Europa do século XIX e às políticas de assimilação e gueto. No âmbito da construção do Estado-nação, a presença de um povo-nação conturbava politicamente o cenário. As comunidades judaicas na Europa sofreram muitos processos de violência e discriminação antes mesmo das políticas nazistas da segunda guerra mundial. Os “judeus” foram exportados para uma outra terra, “seu lugar”: a Palestina. Essa retomada de certa compreensão bíblica e sua teologia de “terra-povo-Deus” se juntou ao pragmatismo de setores do judaísmo e incrementou as levas de migração de judeus para a Palestina. Mas a Palestina já estava ocupada, habitada. Foram séculos de presença árabe majoritária convivendo em paz com a comunidade judaica minoritária, até 1936. Assim, do ponto de vista didático, nós precisamos estudar história. Entender que o colonialismo europeu deixou sequelas terríveis na África, no Médio Oriente e na América Latina também. As divisões artificiais de Estados nacionais que foram impostos sobre maiorias ainda hoje repercutem na forma de conflitos localizados. Em 1948, os ingleses deixaram a administração da região da Palestina para a Organização das Nações Unidas, que acolheu a decisão do presidente norte-americano Harry Truman , determinando a divisão da Palestina em duas metades. Duas metades... desiguais! Os palestinos, que somavam 1.300.00 habitantes, ficaram com 11.500 km² e os judeus, que eram 700.000, ficaram com um território maior (14.500 km²), apesar de serem em número menor. Essa política de partição respondia e responde aos interesses geopolíticos dos norte-americanos na região. O enclave pró-americano tem papel importante nas relações com o mundo árabe.


Controle do Ocidente sobre o OrienteÉ um conflito por território. Os desacertos desta região combinam elementos do imperialismo europeu do século XIX com os desastres do conflito e da resolução dos conflitos da segunda guerra mundial. A ocupação ilegal da Palestina pelo Estado de Israel revela a cara mais explícita do antigo colonialismo e combina novas formas de neocolonialismo. Interesses externos mobilizam a política interna no que pode ser considerado, também, um ponto avançado de controle do ocidente sobre o oriente. O modelo de interpretação que me parece mais adequado é o do Apartheid, na África do Sul. Como na África do Sul os assentamentos israelenses na Palestina expulsam a população indígena, cerca de dois terços dos palestinos estão fora de suas terras ou segregados no que restou dos acordos de 1948 e as sucessivas guerras de ocupação. Todas as formas políticas de defesa de território pela população palestina vem sendo considerada terrorista, e os mais básicos direitos humanos não são reconhecidos. A questão é o controle da terra e da água e das formas de ocupação do território como em outras partes do mundo. Mas este caráter persistente do colonialismo europeu do século passado, articulado com as tecnologias de controle de território modernizadas do ocidente sobre o oriente, faz da Palestina um ponto de inflexão geopolítico delicado e explosivo. Inflexão porque desloca os horizontes “locais” de afirmação de processos autônomos dos povos e internacionaliza o conflito inviabilizando processos de resolução.

Superar o senso-comum e a desinformação é vital para um entendimento abrangente do quadro de conflito Israel-Palestina. (foto em destaque) 

IHU On-Line – Quais os pontos que você pretende abordar em relação ao tema “Palestina e Israel: caminhos para uma paz justa”? O que entende por “paz justa” aplicada a essa relação entre as duas regiões?